Fundação da Capela
Nossa Senhora da Ajuda
O arraial denominado Caçapava Velha constitui a Célula
Mater da organização social, política e religiosa.
Ali, naquele rincão do chão paulista, atravessado pela
estrada geral, que naquela época se estendia entre São
Paulo e a região de Taubaté, seguindo a margem direita
do Rio Paraíba, na segunda metade do século XVII, muitos
paulistas de São Paulo de Paraitinga e Santana de Mogi das
Cruzes, acompanhados de suas famílias e de índios administrados,
vieram se fixar, ocupando sesmarias e datas de terras, distribuídas
pelos donatários da Capitania de São Vicente, por intermédio
do Capitão Jacques Félix - o pioneiro da penetração
e do desbravamento desta região. Eram, em regra, sertanistas
destemerosos e audazes, visando ao apresamento de índios e à conquista
de novos territórios.
Entre esses audazes pioneiros houve um que se apegou à gleba
escolhida, com o propósito de cultivar e povoar. Foi o paulista
Jorge Dias Velho, descendente de Garcia Rodrigues e de Isabel Velho,
que foram dos primeiros povoadores do Campo de Piratininga. Já casado
com Sebastiana de Unhate, e com filhos, aqui afazendo-se, criando
os filhos e demonstrando carinhoso interesse pelo desenvolvimento
da região.
Bom católico, que era, cogitou, e pôs em prática
o seu propósito de erigir em sua fazenda uma Capela, onde
se praticasse o culto cristão e servisse de centro de irradiação
da fé, sentimento dos paulistas daqueles tempos. Assim é que,
em 8 de novembro de 1705, endereçou ao Bispo Diocesano do
Rio de Janeiro, que era, então, Dom Frei Francisco de São
Jerônimo, solicitando por bem benzer o lugar para uma Capela
em vocação à Nossa Senhora da Ajuda, a qual
estava presentemente acabada, com os ornamentos necessários,
as quais a corte mandou vir, como as imagens. Solicitado conceder
licença para que o reverendo padre João de Souza da
Fonseca possa celebrar o santo sacrifício da missa, como também
benzer parte do cemitério, por ser de muita precisão.
O Bispo Diocesano efetuou o despacho, dando provisão emitida
em 13 de fevereiro de 1706, incluindo que não se enterrará,
no cemitério, sem licença do vigário de Taubaté.
Feito o benzimento da Igreja e do cemitério, o Capitão
Jorge Dias Velho, já então viúvo, pois sua mulher
Sebastiana de Unhate havia falecido em 1702, por escritura pública
de 11 de maio de 1706, com a presença do visitador geral -
padre João de Souza da Fonseca, instituiu, mediante doação,
um patrimônio inalienável de três mil cruzados,
para sustentação da Capela, passando a ser seu protetor.
Regularizado o protetorado da Capela, o Capitão Jorge Dias Velho
obteve do Bispo do Rio de Janeiro a licença para celebração
de missa na Capela de Nossa Senhora da Ajuda.
Em 10 de maio de 1706 o escrivão Antonio da Cunha Garcia fez
vistoria na Capela, inventariando os objetos de culto e paramentada
com todo o necessário.
Ao redor dessa Capela foram nascendo as habitações que
formaram o arraial. Por muitos anos a Capela foi administrada por seu
protetor, servindo de Capelão o seu filho Padre Manoel Rodrigues
Velho, até que, em novembro de 1723, o visitador geral, vigário
da vara de Taubaté, Padre Antonio de Lima Fagundes, em visita à Capela,
observou várias irregularidades, no tocante à administração
do patrimônio da Padroeira.
Atribuiu isso à idade avançada do protetor - Jorge Dias
Velho, que já teria, nessa ocasião, cerca de noventa
anos de idade. O visitador aconselhou-o, então, a transferir
a protetoria para seu filho Padre Manoel Rodrigues Velho, o que foi
feito em 11 de fevereiro de 1724.
Por esta época (1724) já o arraial de "Cassapaba",
como bairro do Município de Taubaté, tomava grande incremento,
como centro religioso. Para este aglomerado humano, confluíram
moradores de diversas paragens da região.
Tal foi o progresso que já apresentava, nos começos do
século XIX, o Governo Real, então exercido pelo Príncipe
Regente D. João, baixou o Alvará de 18 de março
de 1813, fundando uma freguesia com sede na Capela referida, tornando-a
adstrita às autoridades administrativas do Conselho Municipal
de Taubaté, freguesia para a qual foi adotado o nome da Padroeira
- Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava. Passou a pertencer ao
Bispado de São Paulo, criado por Carta Régia de 22 de
abril de 1745, aprovado pelo Santo Padre Benedito XIV.
Quando foi fundada a Capela de Nossa Senhora da Ajuda, em fins de 1705,
na paragem denominada "Cassapaba", dentro dos limites do
Município, tinha por sede a Vila de São Francisco das
Chagas de Taubaté. Por esse tempo eram somente três as
Vilas existentes no Vale do Paraíba: Taubaté, Jacareí e
Guaratinguetá.
A Lei de 15 de outubro de 1827, que reformou a organização
judicial, que vinha da fase colonial, criou para cada freguesia, que
passou também a ser sede de distrito, um Juiz de Paz e um Suplente.
Incumbia-lhe, a esse Juiz de Paz, conciliar as partes, julgar pequenas
demandas, assim como tomar providências de caráter policial.
A contar de 1833, por força do disposto do Código Criminal
do Império (Lei de 29 de outubro de 1832), passaram as freguesias
a ser denominadas "Distritos de Paz" - que seriam marcados
pelas Câmaras Municipais, e os juízes de paz seriam em
número de quatro, com quatro suplentes.
Na sede de cada freguesia havia uma Junta Qualificadora de votantes,
constituída do Juiz de Paz mais votado e quatro eleitores de
Paróquias.
Durante mais de cem anos a Capela fundada por Jorge Dias Velho permaneceu
esquecida das autoridades eclesiásticas, apesar do progresso
trazido para a região pela abertura de lavoura de café,
que, desde os fins do século XVIII, se estenderam pelas terras
altas do Vale do Paraíba. Já no começo do século
XIX exportava mais de cem mil arrobas de café.
Esse desenvolvimento agrícola atraiu naturalmente a atenção
das autoridades civis e eclesiásticas e daí a criação
da freguesia e do distrito. Passou então o povo a ter, mais
próximo de seus lares, a sede da Paróquia e um Pároco,
tornando-se um centro de propagação da fé e da
civilização.
Ao mesmo tempo que nascia e se desenvolvia o povoado da Capela Nova,
os habitantes de Caçapava Velha se empenhavam pela reconstrução
de sua Matriz, que se achava em estado ruinoso. As obras tiveram início
em 1845.
Um exame dos anais da Câmara Municipal de Taubaté no que
tange às atividades administrativas e religiosas concernentes à freguesia
de Caçapava, no período que vai de 1813 a 1850, reinava
um clima de intolerância política, não só nos
meios profanos, como também em assuntos relativos à Paróquia.
Qualquer medida determinada pela administração municipal,
eram pretextos para exacerbações de ânimos, por
parte do que se julgavam prejudicados; relativamente aos negócios
da Igreja Matriz, os vigários viviam às turras com todos.
Essas divergências que já vinham de longe propiciaram
a fundação de um novo povoado, por uma das correntes
da oposição. O progresso de um novo aglomerado humano
tornou-se um dos fatores da decadência primitiva povoação
que, em poucos anos, perdeu a prerrogativa de sede da freguesia, que
vinha desfrutando desde 1813.
Transferido, por força da Lei Provincial n º 1, de 3 de
maio de 1850, a sede da freguesia e do distrito para a Capela Nova,
ainda mais acentuou a decadência do burgo de Jorge Dias Velho.
Capela de São João Batista
Estava o partido conservador dominando a situação política
do país em 1842. Em Minas Gerais e em São Paulo, deflagrou
a insurreição. Também no Vale do Paraíba
eclodiram focos de rebelião em Areias e Silveiras. Após
20 de junho de 1842, o General Caxias, passando por Sorocaba, comandou
as forças expedicionárias a fim de combater os focos
de rebeldia de Areias e Silveiras. A 12 de julho as forças imperiais,
sob o comando do Coronel Manoel Antonio da Silva, destroçaram,
em combate as forças rebeldes de Areias e Silveiras.
Extinta a rebelião na Província de São Paulo,
de Silveiras partiu Caxias, em 25 de julho de 1842, para Minas Gerais.
Quando as forças de Caxias, em 1842, demandavam a região
de Silveiras, estiveram acampadas num sítio denominado "Fazenda
Velha", que não é senão o lugar onde se tornou
freguesia, depois Vila e finalmente a Cidade de Caçapava.
Logo após a passagem das mencionadas tropas imperiais, moradores
da redondeza fizeram, à margem esquerda da estrada real, em
terrenos da "Fazenda Velha", uma pequena Capela de pau a
pique, sendo que o proprietário dessa gleba era o Coronel João
Dias da Cruz Guimarães, residente na Vila de Jacareí.
Como em todos os aglomerados humanos da Província de São
Paulo, também na freguesia de Caçapava Velha os acontecimentos
de Sorocaba e de Silveiras provocaram grande efervescência política.
Como é natural, havia ali, ainda que um número pouco
considerável, liberais e conservadores.
Em conseqüência das referidas lutas vários elementos
liberais, acompanhados de outras pessoas sem cor partidária,
confluíram para o local onde desde de 1842 se iniciaram a feitura
de uma Capela, à margem esquerda da estrada real de São
Paulo a Taubaté.
Em 1844 já nesse local, com consentimento do proprietário
da fazenda, se fixaram, fazendo suas moradas, Bento Pereira da Mota
e João Ramos da Silva. Essas primeiras habitações
foram levantadas à direita da Capela, onde se venerava São
João Batista, em redor da qual foi roçado o mato, formando-se
uma esplanada a cavaleiros do ribeirão que atravessava a estrada
real.
O Coronel João Dias da Cruz Guimarães, logo que começou
a construção da Capela, fez a doação de
cem braças de terreno para formação do patrimônio
de São João Batista. Em redor dela foi se formando um
aglomerado humano. Foi tal o incremento que tomou o arraial, que os
seus moradores se dirigiram ao Bispo Diocesano de São Paulo,
pedindo que a sede da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, que era
na Igreja de Caçapava Velha, fosse transferida para a Capela
Nova.
O vigário da Paróquia de Caçapava Velha, que era
então, o padre Higino Rodrigues de Alvarenga, promoveu entre
os seus paroquianos um abaixo assinado, contrariando o pedido dos moradores
do novo arraial, em que se erigia a Capela Nova.
O Coronel João Dias da Cruz Guimarães e sua mulher Dona
Maria Carolina da Conceição, eram os proprietários
do imóvel rural denominado "Fazenda Velha".
Uma área de terreno doado verbalmente para a formação
do patrimônio de São João Batista, orago da Capela
desde 1842, o mencionado casal, por escritura pública lavrada
nas notas do Tabelião José Lemes da Silva Ramalho, do
termo de Jacareí, em 16 de abril de 1845, confirmou essa doação.
Uma certidão desta escritura foi extraída em 11 de março
de 1873 e transcrita no livro de inventário e registro de títulos
da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava, livro
este aberto e rubricado, em 1904, pelo Cônego Antonio Pereira
Reimão, Vigário Geral e Provisor do Bispado de São
Paulo.
Desde de 1850 a Capela de São João passou a ser a Igreja-Sede
da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.
Em 1874 é que se providenciou no sentido de se definir a área
do patrimônio da Capela de São João Batista. A área
dos terrenos do patrimônio não ultrapassava a medida de
48.400 metros quadrados. Por muitos anos prevaleceu essa medição.
O aglomerado humano que criou-se em redor da Capela Nova veio propiciar
condições de progresso à comuna que se formava,
de um modo a centralizar as atividades sociais e religiosas dos habitantes
da região. A posição geográfica era excelente:
altitude média de 600 metros acima do nível do mar, a
menos de 3 quilômetros do caudaloso e notável Rio Paraíba
e rodeado de correntes de água.
Feita a primitiva Capela, coincidindo uma de suas faces com a estrada
real (atual Rua Marques do Herval) de São Paulo à Corte.
Por essa estrada, se estendeu a primeira rua, que veio a se chamar "Direita".
Tais eram as condições de vitalidade do novo núcleo
urbano que, em poucos anos, os seus iniciadores conseguiram obter dos
poderes governamentais da província a transferência da
sede da freguesia, do arraial de Caçapava Velha para a nova
povoação, passando a Capela de São João
Batista a ser a Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.
Nesse sentido foi promulgada a Lei Provincial n º 1, de 3 de maio
de 1850.
Com a transferência da sede da freguesia e do distrito para o
novo povoado, não só o fiscal da Câmara Municipal,
como o coletor de rendas do Município de Taubaté, passaram
a ter sua residência na nova sede.
Aos 9 de abril de 1853, o vereador caçapavense Antonio Feliciano
de Barros requereu que todo e qualquer rendimento a ser arrecadado
na freguesia de Caçapava fosse aplicado na continuação
das obras da Igreja Matriz.
Exercia as funções de vigário o Padre Barnabé José Teixeira
de Andrade na Nova Capela de São João Batista, logo que
passou a ser Matriz da Paróquia.
O arraial que se formou em poucos anos, em redor da Capela de São
João Batista, apresentou-se consideravelmente desenvolvido,
tendo já pároco, juízes de paz, sub-delegado de
polícia e fiscal da Câmara Municipal, movimentaram-se
as pessoas de maior destaque, residentes em redor da nova Matriz, no
sentido da criação de uma célula administrativa
e política autônoma, separada do Município de Taubaté.
Tendo todos os requisitos necessários à formação
de um município distinto, pois, em seu âmbito já existiam
vários pequenos povoados, ostentando já apreciável
progresso em suas lavouras, pois exportava anualmente mais de 180.000
arrobas de café, além de outros produtos, como sejam
cereais e aguardentes de cana.
Em 1865 já existiam os pátios da Matriz, de São
Benedito, de Santa Cruz e de São Roque.
Quando da criação da Vila, em 14 de abril de 1855 - Lei
Provincial n º 20, exercia o cargo de vigário o Padre Luiz
Antonio de Alvarenga. Foi substituído, em 7 de novembro de 1856,
pelo Padre Álvares de Oliveira Cruz, que se manteve no lugar
até substituído, em 1861 (29 de julho), pelo Padre Joaquim
Pereira de Barros.
Foi sucessor deste o Padre Bento Antonio de Souza e Almeida, que tomou
posse,como vigário encomendado, em 28 de setembro de 1862, permanecendo
neste cargo até 1865. Este sacerdote sofreu grande perseguição
movida por espírito de reles politicagem local. O procedimento
do Padre Bento Antonio levou a Câmara Municipal a representar
ao Bispo Diocesano, em 29 de abril de 1865, no sentido de não
ser ele reintegrado no cargo de vigário, de que fora afastado
naquela ano. Em 1869 exerceu o paroquiato de Santa Cruz dos Mendes,
na Província do Rio de Janeiro. Em ato de 14 de agosto de 1877,
foi galardoado com honras de Cônego da Catedral da Capela Imperial.
Em 10 de julho de 1865, o Padre João Alves Coelho Guimarães
assumiu as funções de vigário de Caçapava,
onde fixara residência. Aqui permaneceu até 1867, quando
foi substituído, em 30 de junho, pelo Padre Luiz Colângelo.
O Padre Francisco Marcondes do Amaral Rodovalho assumiu o cargo de
vigário em 1 º de novembro de 1868 e nele permaneceu até falecer.
No tempo em que era vigário da Paróquia o Padre Bento
Antonio de Souza e Almeida fundou a Irmandade do Santíssimo
Sacramento, cuja instalação se deu em 26 de outubro de
1862. Levado por seu caráter impetuoso e intolerante, o Padre
Bento causou muitas desarmonias na Paróquia, principalmente
quando se organizou a Irmandade do Santíssimo. Essa luta resultou
na exoneração do pároco.
Quando o Padre Francisco Marcondes do Amaral Rodovalho aqui aportou,
lamentável era a situação material da Igreja Matriz
e das Capelas na cidade. Modesta e humilde, a Igreja Matriz não
tinha acompanhado o progresso que a criação da cidade
e a inauguração da estrada de ferro proporcionaram. Depois
das missões de Frei Caetano Messina, o ânimo do povo tornou
novo alento e o zeloso vigário encontrou eco para suas pregações
em favor da reconstrução e aumento da velha Matriz. Não
cogitou de executar, por ser inoportuno, o grandioso plano gizado pelo
incansável e abnegado missionário. Chamado de Padre Chiquinho,
com poucos recursos conseguiu fazer reformas substanciais na Matriz.
Ampliando-a e embelezando-a na medida do possível, deixou, ao
morrer, Caçapava com um templo modesto, pobre, mas suficiente
para as necessidades do culto, naquela época. Manteve sempre,
no âmbito religioso, a harmonia e a paz entre os seus paroquianos.
Em princípio de maio de 1876, esteve em Caçapava o grande
missionário Frei Caetano Messina. O Bispo Diocesano de São
Paulo Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, valendo-se da presença
da presença em São Paulo do Frei Caetano Messina, prefeito
comissário geral dos missionários capuchinhos, deu-lhe
a incumbência de realizar missões nesta região,
a começar por Caçapava. O grande missionário cogitou,
também, de melhorar as condições materiais da
Igreja. Diante de um templo de precária construção,
o missionário valeu-se do entusiasmo com que o povo ocorreu às
suas pregações e meteu mãos à obra. Ouvira
a opinião do engenheiro então residente em Caçapava
- o Dr. Martiniano da Fonseca Reis Brandão - e este, como profissional,
aconselhara que se construísse uma nova Igreja, pois a velha
era irreparável e se prontificara a fazer uma planta.
Durante o mês que o Frei Caetano de Messina esteve em Caçapava
chegou a ser construído os alicerces que pareciam destinar-se à construção
de uma Catedral.
Ao ser lançada a primeira pedra dos alicerces, foi lavrada uma
ata, em 25 de maio de 1876.
Após a partida do Frei Caetano de Messina, o grande italiano,
com espírito realista e conhecedor das condições
econômicas dos seus paroquianos, o Padre Chiquinho pôs
de lado qualquer plano irrealizável, e cuidou de melhorar a
velha Matriz, que aliás não era velha, pois não
tinha mais do que 25 anos de existência.
No ano seguinte ao das missões de Frei Caetano, o Padre Chiquinho
angariou donativos e meteu mãos à obra para restaurar,
remodelar a Igreja. Dando início às obras, conforme comunicou à Câmara
Municipal, em ofício de 10 de setembro de 1877, transferiu a
sede da Paróquia para a Capela de São Benedito que, até 1883,
serviu de Matriz. O saudoso Padre Chiquinho ficou durante vinte e sete
anos na Paróquia e muito contribuiu para a estabilidade e prestígio
das instituições civis. Nos últimos anos de seu
paroquiato que mandou proceder a reforma da Igreja de São Benedito.
Patrocinou a ereção de várias Capelas na zona
rural.
Após falecimento do Padre Chiquinho, em fevereiro de 1897, exerceu
o vigariato, por algum tempo, o Padre Antônio Firmino Vieira
de Araújo, que para aqui veio em 1897. Nos anos de 1897 a 1898,
foi o vigário o Padre Antônio Moreira de Souza e Almeida,
irmão mais moço do Cônego Bento Antônio de
Souza Almeida (vigário de 1862 a 1865).
De 1899 a 1910, a Paróquia foi dirigida pelo Padre Pedro Gravina.
Removido o Padre Pedro Gravina, esteve cerca de dois anos vago o lugar
de vigário. Em 1912 passou a ser vigário o jovem e talentoso
sacerdote Ataliba Pereira, filho desta terra, o qual à testa
da Paróquia esteve até a morte, ocorrida em junho de
1917. Ao tempo em que era vigário o Padre Ataliba Pereira, foi
pró-pároco o Padre José Gonçalves Fraga.
Novamente veio a ser vigário da Paróquia o Padre Antônio
Firmino Vieira de Araújo, que aqui permaneceu de 1917 a 1920.
As Capelas
Em 1918 ainda existiam, na cidade, em sua antigüidade venerável,
as Capelas de São Benedito, de São Roque e de Santa Cruz,
esta logo demolida, para dar lugar à remodelação
da praça. Na zona rural existiam Capelas nos bairros da Boa
Vista, Santa Luzia (ou Grama), Piedade, Bonfim, Germana, Sapé,
Campo Grande, Tijuco Preto, Borda da Mata, Marambaia. No arraial de
Caçapava Velha continuava a estadear a sua veneranda ancianidade
o modesto templo de Jorge Dias Velho, e, à sombra dele, a humildade
da Capelinha de São Benedito.Nos idos de 1919, era vigário
na Paróquia de Caçapava o reverendo Padre Antônio
Firmino Vieira de Araújo, que, no ano seguinte, foi removido.
Foi substituído transitoriamente pelo Padre José Soares
Machado, de cuja atuação na Paróquia nada se sabe.
Em 1921, veio exercer a destacada função religiosa e
social de vigário um sacerdote de elevados méritos -
o padre José Romão da Rosa Góes que, para logo,
conquistou a simpatia e o afeto de seus paroquianos. Teve em 1922 como
seu coadjutor o padre José Vita. A festa da paróquia
esteve cerca de quatro anos, sendo sucedido pelo atual e digno sacerdote
padre J.B. Monteiro.
Durante a profícua administração do padre Rosa
Góes, é que providências seguras foram postas em
prática para a radical remodelação da igreja matriz.
Em final de agosto de 1924 foi organizado uma comissão para
angariar recursos pecuniários.
Dado esse grande passo, não descansou a comissão, à qual
se aliaram outras pessoas em prol, enquanto não se atingiu o
grandioso objetivo de se dotar a paróquia de um templo compatível
com o progresso religioso e social da cidade.
Tendo sido removido, em 1925, o padre Rosa Góes, houve por bem
o Revmo. Bispo Diocesano de Taubaté, que era então Dom
Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, investir nas funções
de vigário o padre José Benedito Alves Monteiro, trazendo
a alta incumbência de levar por diante a reconstrução
da igreja matriz, de modo a dotar a cidade de um templo que estivesse à altura
do progresso urbanístico de Caçapava. Tendo sido substituído
em 1938 ao se afastar da paróquia, o ilustre sacerdote já deixou
completamente edificada a Igreja Matriz, apenas faltando a pintura
e as decorações.
Em 1938 foi nomeado para vigário o padre José Maria da
Silva Ramos, descendente ilustre de um dos fundadores de Caçapava
- o Capitão João Ramos da Silva. Aqui permaneceu por
seis anos deixando o cargo em 1944. Nesse ano reassumiu o padre Monteiro,
que prosseguiu no seu objetivo de concluir a reconstrução
da Matriz. Conseguiu a realização desse desiderato, e
para o contentamento dos seus paroquianos, concluiu a grande obra.
Quando se realizaram, em 1950 as solenidades comemorativas do primeiro
centenário da paróquia, já fazia mais cinco anos
que ficaram totalmente concluídas as obras de reconstrução
da Matriz, graças à incansável dedicação
do reverendo vigário Pe. José Benedito Alves Monteiro,
que encontrou pleno apoio em todas as classes sociais de Caçapava
e, assim, ficou a paróquia dotada de um magnífico templo,
digno do progresso material e moral da coletividade.
O centenário que se festejou em 1950, não foi da criação
da paróquia mas da transferência de sua sede, que era,
desde 1813, na matriz de Caçapava Velha, para a capela de São
João Batista, por força da Lei nº 01 de 03 de maio
de 1850. A paróquia foi criada pelo Alvará Régio
de 18 de março de 1813 e durante 17 anos ali. Exerceram o paroquiato
muitos sacerdotes: José Joaquim da Costa, Higino Rodrigues de
Alvarenga, Lourenço Corrêa Leite de Moraes, e por último,
Barnabé Teixeira de Andrade, que foi o último vigário
da matriz velha. Pela lei que determinou a transferência, foi
mantida a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da
Ajuda. Até a expiração do antigo regime político,
não foi modificada esta denominação. E depois
da separação da Igreja do Estado decorrente da lei de
liberdade de cultos (07 de janeiro de 1890), também não
se tem conhecimento de ato algum de autoridade eclesiástica
competente que tivesse jeito a substituição do nome da
padroeira da paróquia de Caçapava para São João
Batista. Ainda em 19 de setembro de 1904, assinando o termo de abertura
do livro de registros dos títulos do patrimônio, o cônego
Antônio Pereira Reimão, Vigário Geral e Provisor
do Bispado, menciona "Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda
de Caçapava".
Em 29 de maio de 1954 foi criada a paróquia de São Pio
X que teria por sede a Igreja de São Benedito, construída
em bela situação da Vila Pantaleão. A área
da nova paróquia foi destacada da paróquia de Nossa Senhora
da Ajuda de Caçapava (ou de São João Batista).
A instalação da nova paróquia efetuou-se, com
grande solenidade no dia 18 de julho de 1954. Nesse mesmo dia, tomou
posse o seu primeiro vigário o reverendo Frei Carlos Maria Varotto.
A nova Igreja foi construída para substituir a velha e venerável
capela de São Benedito que por mais de 80 anos, existiu na praça
que teve seu nome e atual praça da Bandeira.
O padre José Cantinho de Moura ficou no período de 1954
a 1968, realizando a campanha do novo relógio da matriz de São
João Batista.
O monsenhor Theodomiro Lobo foi nomeado em 27 de maio de 1968, vigário
da matriz de São João Batista.
O Dia do Padroeiro e feriado municipal é dia 24 de junho.
Festa de Corpus Christi
A festa de Corpus Christi é uma antiga celebração
iniciada em 1247.
Famílias Caçapavenses, desde os tempos da vila tinham
por tradição enfeitar, tapetes e flores em homenagem
a passagem de procissões religiosas. O Frei Egídio, vigário
da paróquia São Benedito, no ano de 1963, em coordenação
com o padre José Cantinho de Moura vigário da matriz
São João Batista e grupo liberado pela Professora Olívia
Alegri, decidiu dar um cunho solene a festa e ornamentar a Rua Capitão
Carlos de Moura para a procissão que iniciava na Rua São
Benedito, percorria várias ruas e terminava na matriz de São
João Batista. Os moradores das outras ruas aderiram com entusiasmo
a idéia e todo o trajeto da procissão foi ornamentado.
A Festa de Corpus Christi, a partir de 1975 passou a contar com apoio
da administração municipal, e passou a ser atração
turística.
Monsenhor Theodomiro Lobo
O Monsenhor Theodomiro Lobo foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro
de 1938, na Basílica Romana de São Latrão. Regressou
em 1939, ao Brasil iniciando sua vida sacerdotal. Reitor, em 1944,
no Seminário de Taubaté. Figura enérgica, estimada
e respeitada pela sua humildade, cultura, inteligência e dedicação
de mais de 60 anos servindo a Deus, dos quais 30 anos à Paróquia
São João Batista.
O Monsenhor Theodomiro Lobo tornou-se pároco emérito
da matriz de São João Batista, e depois, o pároco
foi o Cônego José Eugênio de Faria Santos até meados
de 2005.
A religiosidade, a solidariedade, a filantropia e o civismo são
traços marcantes e característicos das "Gentes Caçapavenses",
raros de serem encontrados em outras regiões. E Caçapava,
em sua evolução histórica, tem revelado estas
características exemplares de grandes destaques.
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