Produção
Segundo pesquisa de João Batista de Faria em seu trabalho
para a obtenção do grau de Licenciatura Plena em
História (1996), em documentos “guias de embarque” de
produção e escoamento do carvão, constatou-se
que a produção carbonífera caçapavense
atendia tanto as indústrias do governo quanto as indústrias
particulares, ou seja, 32% destinaram-se às indústrias
de iniciativa privada contra 68% para as indústrias do governo.
As indústrias públicas para onde destinavam o carvão mineral
eram: Mineração Geral do Brasil – Mogi das Cruzes –SP;
Estrada de Ferro Central do Brasil – Barra do Piraí – RJ
e Fábrica Presidente /vargas – Piquete – SP. AS de iniciativa
privada eram: Carâmica Lacamau S.A – Ipiranga – SP, Indústria
Química Vebo Ltda – São Paulo – Capital, Cia. Progresso
Industrial do Brasil – Bangu – DF, cia. Química Rhodia Brasileira – Santo
André – SP, Nadir Figueiredo S.A- São Paulo – Capital
e Cerâmica São Caetano do sul – SP. A produção
do carvão mineral destinava-se para as indústrias do Estado de
São Paulo e do Rio de Janeiro, alem do distrito Federal, sendo toda
ela escoada pela E.F.C.B. .
No auge da produção a média mensal girava em torno de
3.500 toneladas/mês, chegando a atingir média anual de 36.000
toneladas, representando 1,56% da produção nacional.
Reativação da Mina
de Carvão em 1939
O reativamento da Mina de Carvão iniciou-se em novembro
de 1939. ao chegar no rio de Janeiro, o Sr. Luiz Marques de Almeida
encontrou a mina totalmente parada, dos 12km de trilhos, foram
encontrados apenas 42 trilhos, ou seja, uma média de 1,75%
do ramal férreo que ia da E.F.C.B. até as jazidas.
Nestas condições é que foram feitas, num período
de 12 (doze) meses, a reativação da mina de Carvão
de Caçapava.
Nesta época a mina estava estruturada com túneis com profundidades
que iam de 40 a 80 metros.
O regime de trabalho em três turnos (6h as 14h – 14h as 22h – 22h
as 6h). No interior dos túneis o operário trabalhava com luz
elétrica. Usavam também o gasômetro (uma espécie
de lampião, carregado de gás a iluminação de galerias).
Trabalhavam nas galerias as categorias de operários:
1. cavouqueiro – aquele que cavouca as paredes dos túneis subterrâneos,
para extrair deles o carvão.
2. manobreiro – trabalhador que realizava as manobras das caçambas,
pós serem carregados com carvão.
3. caçambeiro – trabalhava enchendo as caçambas com carvão.
4. estivador – o que colocava estiva ou guarnições de madeira
(eucalipto) necessárias para sustentar os túneis, à medida
que vai sendo cavoucado. Esta atividade era chamada de “depilagem” que
consistia em abrir um salão de oito metros quadrados no subsolo. Atividade
de alta periculosidade, pois havia o risco das madeiras que eram colocadas
para sustentar as paredes dos corredores subterrâneos, desabarem sobre
os trabalhadores.
O carvão era retirado do interior das galerias com caçambas
puxadas com motor. O carvão saía “in natura” e
passava no forno, na mina. O carvão era moído e adicionado
com óleo que vinha dos Estados Unidos. A prensa comprimia
aquilo e fazia uma “noz” (parecia um ovo).
Origem dos Funcionários após
reativação
A maioria dos operários era de Caçapava. Outros
vinham de Mogi das Cruzes, Taubaté, Jambeiro e são
José dos Campos.
O Sr. Luiz Marques de Almeida era chefe do transporte e do departamento de
material (tempo de serviço: novembro de 1939 a maio de 1942), que inclusive
encaminhava os candidatos para admissão.
O Sr. Luiz não continuou mais na mina porque o Engenheiro Encarregado
Dr. Janot Pacheco estava deixando a direção da mina. O Dr. Janot
para onde ia levava o Sr. Luiz com ele, e em seu lugar assumiu o Sr. José Damas
Bezerra. |
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Ao redor da mina de carvão chegou a ter cerca de 300 pessoas,
sendo que cerca de 160 pessoas eram operários e o restante
dos familiares.
Os operários tinham boas condições de vida com
suas famílias.
Na Vila tinha como infra-estrutura: casas, capela, escola e o escritório
da Carbonífera de Caçapava S.A. .
Na Vila havia um pequeno comércio, ou seja, um armazém
que vendia gêneros alimentícios.
O lazer ocorria nos finais de semana com as danças de Moçambique.
Além do Moçambique, quando era possível, eles
lotavam um caminhão e eiam oara a cidade, onde freqüentava
o cinema, passeavam pelas pracinhas, iam às igrejas, e ao
entardecer, retornavam para a Mina.
Outra diversão era o Carnaval e o Natal. Os bailes de carnaval
eram feitos numa das casas de comércio da Vila e as pessoas
brincavam utilizando-se até de fantasias.
O Natal, outra festa comum do ano, era uma das mais esperadas tanto
pelas crianças quanto pelos mais velhos. A administração
da Mina promovia a entrega de presentes para as crianças e
para os adultos eram entregues cortes de tecidos. Tudo isto com a
presença do “Papai Noel”.
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O CAMINHÃO DE TRANSPORTE
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Caminhão Jardineira Chevrolet Internacional
C.40
Ano de Fabricação 1937
Chapa: 43-31-05
Apelido do Caminhão: Professor*
* na época da guerra que faltava
combustível ele foi adaptado para usar lenha que pela queima transforme
em combustão: gasogênio, conforme informações do
Sr. Noel Gabriel. Este caminhão foi o primeiro e que ensinou os demais
o trabalho.
Curiosidade: Foi acoplado a este caminhão um compressor de ar para soprar
fogo, e assim agitar o gás. |
O TIME DE FUTEBOL
= Carbonífera Futebol Clube =

Foto cedida por Noel Gabriel
Jogadores: Zézinho, G. Teodoro, João Fernandes,
Mooca, Amauri, Coelho, João, Zé Luiz, Eugênio,
Bento Américo e Zé Davy
O POETA NOEL GABRIEL
SER POETA
Poeta é aquele que escreve versos de amor
Poeta é aquele que sabe dar respostas, observando o brilho
dos seus olhos.
Poeta quando romântico, suas palavras nascem no coração.
Poeta, alguns gostam de andar na praia pisando na areia, ouvindo
a turbulência
das ondas do mar.
Ou embaixo de uma árvore apreciando o chilrear dos passarinhos.
Poeta é iluminado quando fala de Deus.
Pra conversar com a lua, e entender de estrelas, tem que ser poeta.
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