| Introdução
Pesquisa com apoio da Prof ª Darcy Breves de Almeida – Pesquisadora
de Folclore do Vale do Paraíba e Vice-Prefeita de Caçapava
(Gestão 2005-2008) e trabalho de monografia de Graduação
em História (1996) de João Batista de Faria, na Universidade
de Taubaté.
Histórico
Durante a I e II Guerras Mundiais houve uma paralisação
do tráfego internacional, interrompendo assim, todas as
possibilidades de comércio entre os países. Isto
favoreceu o aparecimento da indústria no Brasil. A indústria
carbonífera também acelerou seu desenvolvimento entre
esse período de guerras mundiais (fonte: carvão.
Autor: Elmar Fonseca. Rio de Janeiro: Bloch – MEC – MME.
Volume 3, 1980, página 19).
A indústria nacional do carvão passou a ser protegida por leis
federais a partir de 1916, criando no país jazidas de carvão
mineral. O estado de São Paulo vinha contribuindo com essa produção
desde o fim do século XIX quando foi autorizada a exploração
pelo Decreto nº 5.115 de 17 de outubro de 1872, no município de
são Lourenço. A exploração se espalhou pelas diversas
regiões do Estado de São Paulo.
Uma dessas regiões está Caçapava que, desde 1893, quando
da descoberta da Mina da Fazenda Bonfim, a Companhia Norte Paulista de Combustíveis
explorou e manteve a mina até finais da década de 30. Em 15 de
maio de 1893 a Câmara Municipal de Caçapava informou ao Governo
da Província que: “Consta por parte de informações
de pessoas competentes, que parte deste município é composto
de terreno carbonífero e suscetível de mineração
aproveitável” (Olívia Alegri: “Retalhos de História...a
nossa Mina de Carvão” – 1980)
A confirmação científica foi feita pelo Engenheiro Dr.
Salas, vindo do Rio de Janeiro, para se instalar na Fazenda Bonfim para estudar
o solo. Através das escavações, pesquisas e análises
de materiais recolhidos daquele solo, Dr. Salas concluiu que o lençol
de terra preta existente na Fazenda Bonfim encobria uma vasta mina de lenhito.
Estava descoberta a Mina de Carvão de Caçapava.
Esta mina muito contribuiu para o progresso do município, e com projeções
até para a economia do Estado e do país (Nosso Jornal, Caçapava,
nº 411 de 1940).
Localização da Mina
Situada na Fazenda Bonfim, zona sul do município de Caçapava.
Distante de 10 km do centro da cidade, a mina encontra-se entre as encostas
da Serra de Jambeiro.
Estrada de Ferro
Em 1914, quando eclodiu na Europa a I Guerra Mundial, a Companhia
Norte Paulista de Combustíveis abasteceu o mercado consumidor
de carvão mineral com nosso produto. A Mina de Carvão
estava em franca atividade, com uma enorme quantidade de carvão
retirada. Porém havia uma grande dificuldade enfrentada
pelos dirigentes da Cia. Norte Paulista de Combustível.
Era a falta de transportes. Solicitaram ao Governo Federal a construção
de um ramal da Estrada de Fero Central do Brasil que fosse diretamente à mina.
O projeto desta linha férrea ficou pronto em 13 de janeiro
de 1918. Depois de pronto, foi aprovado em 06 de outubro do mesmo
ano, quando no Ministério da Agricultura foi assinado entre
o Governo Federal e a Cia. Norte Paulista de Combustível
para a construção do ramal férreo que saía
da E. F. C. B., um pouco além do Cemitério Municipal,
indo direto ao Bonfim. Este acesso é utilizado pela fábrica
MWL (antiga Mafersa, companhia industrial que trabalha com a produção
de materiais para trens).
|
|
| Por volta de 1923, o Sr. José Martins Nogueira veio para
Caçapava a serviço da Cia Norte Paulista de Combustível
a fim de fazer uma perfuração de grande profundidade
e construir diversas galerias. O funcionamento da mina era contínuo
e o transporte de carvão, ainda era feito por um caminhão
grande com carroceria em forma de funil. Após algum tempo
foi inaugurada a linha férrea, que passava a fazer o transporte
do carvão em condições mais rápidas e
econômicas.
Cia. Carbonífera de Caçapava
S/A
Em 1930 a exploração da mina já estava sob
o controle da Companhia Carbonífera de Caçapava S.A.
Companhia esta com sede no Rio de Janeiro e escritório em
São Paulo. Além da exploração ela foi
a responsável pela manutenção da Mina de Carvão
Mineral no período que abrangeu a II Guerra Mundial.
Toda a produção gerada pela Carbonífera de Caçapava
S.A era de carvão tipo LENHITA. É um carvão de baixa categoria,
variando de tonalidade podendo ser castanho ou negro. Desintegra-se rapidamente
quando exposto, queima com pouco ou nenhuma fumaça, e é facilmente
solúvel em álcalis. O seu teor de água varia entre 10%
e 30% e o poder calorífero varia de 4.000 a 6.000 quilocaloriais. Devido
a essa umidade do carvão era necessário misturá-lo a um óleo
importado dos Estados Unidos para ser transportado em briquetes, espécie
de tijolos feitos dessa mistura.
O surgimento da Cia. Siderúrgica Nacional em 1943, exigiu uma alta produção
do carvão metalúrgico nacional que estava concentrado nas jazidas
de Santa Catarina. Além das jazidas catarinenses terem uma dimensão
considerável quanto a quantidade da produção, ofereciam
um carvão de alta qualidade.
Sendo assim o carvão caçapavense, de qualidade inferior ao catarinense,
ao ser queimado nas fornalhas, entupia as grelhas, fundindo-as. Tal fato levou
a usar o carvão de Caçapava como aglutinante do carvão
do Sul, para a fabricação de tijolos do carvão em pó,
também usado como combustível, não apresentando, porém,
resultados favoráveis.
Outro fator definitivo para a inviabilidade da exploração carbonífera
em Caçapava foi o fim da II Guerra Mundial. Após 1945. todos
os projetos sobre o carvão mineral no Brasil foram abandonados estagnando-se
por um período de cerca de 25 anos.
Esta situação de fim de guerra e de nova política de preços
adotada para o petróleo, adormeceram esta tecnologia. Em conseqüência
de todos esses fatores, a exploração deixou de ser viável.
A partir desta época, a mina foi aos poucos abandonando a produção.
Sendo assim, o grande trabalho da mina restringe-se apenas ao curto período
entre 1939 a 1945, ou seja, o auge da produção.
|
|