Antes de existir prédio para acomodar os feirantes, a quitanda
se reunia nas proximidades do cemitério, em parte da área
do largo de São Benedito (atual Praça da Bandeira).
A Câmara Municipal, em sessão de 1 º de dezembro
de 1865, atendendo à solicitação de interessados,
deliberou transferir a "quitanda" do lugar em que costumava
se reunir para o lugar de taipas levantados para a Cadeia Nova. Em
30 de setembro de 1873, a Câmara deliberou mandar construir
casa ou barracão para servir de mercado, no terreno situado
no largo de São Benedito, pertencente a Manoel Inocêncio
Moreira da Costa, assim como ordenou que se fizesse necessária
desapropriação do aludido terreno. Nessa mesma sessão
de Câmara determinou que fossem demolidas as taipas da ex-futura
Cadeia Nova, no local onde se estava reunindo a quitanda. Segundo
se vê da data da sessão de 17 de agosto de 1874, já se
achava em construção o barracão, ou casinhas,
para servir de mercado. A Câmara nomeou o Sr. Fernando Alves
Guedes para dirigir as obras, sob a fiscalização da
comissão de obras públicas, assim como foi votada uma
verba no valor de 600$000 para o dito fim. Ainda em 1877 não
estava ultimada a construção. Ao ser levantado o muro
divisório da casa de João Vieira de Albuquerqe, suscitou
este uma questão, que ficou razoavelmente dirimida. A Câmara
e o proprietário vizinho chegaram a um acordo: o muro seria
custeado pela Câmara e pelo peticionário, pagando para
qual a metade, sem direito a qualquer indenização a
favor de João Vieira de Albuquerque.
Em 1876, o comerciante Manoel da Silva Sinfães, conhecido
por "Manoel Padeiro", representou à Câmara
Municipal no sentido de ser transferida a Quitanda do Largo de São
Benedito para o Largo Visconde do Rio Branco. Na sessão de
Câmara de 31 de março do referido ano foi atendida a
sugestão. A Câmara, então, ordenou as providências
necessárias para a mudança, cientificados o Procurador
da Câmara e o Delegado de Polícia.
Desde 1873 já se providenciara a construção
de um barracão, em terreno adquirido de Manoel Inocêncio
Moreira da Costa, para nele se reunir a quitanda, ou feirantes que
semanalmente vinham da roça mercar os seus produtos. A eles
também se ajuntavam pequenos negociantes do povoado, uns vendendo
sal e outros gêneros importados, e outros abatendo porcos e
rezes para o talho. O terreno ficava entre o largo e a propriedade
de João Vieira de Albuquerque, que era ao tempo comerciante.
Em 1877, esse cidadão era Procurador, e dirigia a construção.
Ainda em 1890 não estava completo o barracão Já estava
servindo aos fins para que foi construído, mas faltavam-lhe
as portas. A Intendência, em sessão de 24 de maio de
1890 contratou com Max Unzer a fatura e assentamento de cinco portões
de ferro pela quantia de 1:050$000.
A esse tempo a quitanda costumava se reunir no barracão aos
sábados. Logo, porém que a Intendência (a primeira)
assumiu a administração municipal, uma das primeiras
providências que tomou foi determinar que a quitanda passasse
a se reunir aos domingos. Essa medida provocou certa reação
entre o povo. O delegado de polícia, que era, então,
Inocêncio Teixeira da Mota teve de agir com energia para conter
os ânimos exaltados. Consultado, o Sr. Governador do Estado prestigiou
a Intendência, fazendo sentir a esta que o assunto estava dentro
da municipalidade.
Com a deposição de Américo Brasiliense, ocorrida
em 15 de dezembro de 1891, houve, em Caçapava, uma insurreição
contra a Intendência, que foi deposta e substituída por
uma Junta Governamentiva, a qual dominou a situação de
15 a 23 de dezembro de 1891. Na sua primeira reunião, realizada
no dia 15, os dirigentes amotinados revogaram a medida da Intendência,
relativa à mudança da quitanda de sábado para
domingo. Deliberou também que o Mercado funcionasse aos sábados,
podendo, entretanto, ficar aberto nos outros dias.
Desde 1890 estava já prestando serviço ao barracão
construído para o Mercado, mas nunca chegou a ficar completamente
terminado. Ainda em 1903, a Câmara Municipal autorizou o Intendente
Geral a dispender a quantia de 3:000$000 com as obras do Mercado. Neste
mesmo ano, a Câmara Municipal determinou a retirada do recinto
do barracão dos açougues de carne verde.
Monteiro Lobato que freqüentava Caçapava dizia: quem for
aqui, aos sábados pela manhã, ao Mercado, e vendo ali
ou pelas imediações uma pobre roceira descalça,
de pito na boca, de cerca de 50 anos, mas parecendo velha porque essa
pobre gente sofredora envelhece depressa, bem poderá estar encarando
a filha da Alvorada, descrita nessa obra da literatura, que é "A
Colcha de Retalhos".
Em 1891, decidiu-se à mudança da "Quitanda" de
sábado para domingo, mas deliberou-se que o Mercado funcionasse
aos sábados, entretanto, ficar aberto nos outros dias.
Em 1939, deu início à construção de sua
sede, que seria própria, num empreendimento notável ao
centro urbano de Caçapava (sede provisória na Avenida
Coronel Manoel Inocêncio, ao lado direito da rua, onde hoje se
encontra as LOJAS CEM).
Em 7 de julho de 1949, com alvenaria de tijolo, piso de cimento e acabamento
com revestimento de reboco, o Mercado ganha novas instalações,
sua definitiva morada, na Avenida Presidente Roosevelt com projeto
de Mattos e Freitas, na fiscalização de Antônio
Paz Vital na época Chefe da Secretaria de Obras da Prefeitura.
Em 1952, o Mercado Municipal ganha formas modernas em sua arquitetura
e também apresenta modelo tradicional de um conjunto comercial.
Na primeira reforma do prédio, instalou-se a parte central com
cobertura de madeira, onde anteriormente as bancas centrais não
possuíam coberturas próprias.
O Mercado Municipal sempre constituiu o cenário de toda uma
trajetória histórica do povo caçapavense. Oferecendo
uma diversificação dos traços culturais e comerciais
e sempre retratou a tipicidade de seu povo, desenvolvendo assim seu
lado econômico e comercial para o Município.
Em 2003 foi inaugurado um palco no interior do Mercado Municipal, na área
denominada Praça de Alimentação, com a finalidade
de entreter os freqüentadores e permissionários. São
realizadas atividades culturais de teatro, danças típicas,
artes plásticas, músicas das mais variadas, corais, violeiros
e sanfoneiros, contadores de causos e exposição de fotos.
Este espaço foi criado para que os artistas do Município
e da egião tenham a oportunidade de apresentarem seus trabalhos
e talento, resgatando assim para o Mercado as tradições
típicas da Cidade de Caçapava.
O Mercado Municipal é um rico espaço de qualidade pública
e de ótima aceitação popular, extrapola assim
a abrangência de sua vizinhança e possuía uma diversificada
gama de usuários e turistas. Podemos considerá-lo um
efervescente núcleo de intercâmbio cultural observando-o
facilmente aos fins de semana, os barburinhos da feira livre de sábado
e da "feira da breganha" no domingo, definitivamente se enfatiza
a expansão do significado Mercado Municipal.
O intuito da implantação do "Espaço Artístico
e Cultural" é de entreter e agregar valores positivos à cultura
de Caçapava.
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Bibliografia:
Caçapava de São João Batista, a simpatia do Vale do Paraíba
(1705-1995)
Autor: Cel. José Carlos de Siqueira Ferreira
JAC Gráfica Editora - 1ª Edição - 1998
Tiragem - 2.000 exemplares
Caçapava - Apontamentos Históricos e Genealógicos
(Subsídios para a história e genealogia do Vale do Paraíba)
Edição Comemorativa do 1º Centenário do Município
de Caçapava - 1955
Autor: Benedicto Alípio Bastos
Impresso nas Oficinas de Reis, Cardoso, Botelho & Cia.
Rua Sólon, n º 856 - São Paulo SP
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