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Luiz Galdino é escritor e professor. Tem 65 anos e é natural
de Caçapava, Vale do Paraíba, de onde saiu aos l8 anos.
Desde então se pôs a correr mundo e não parou
até hoje. Talvez tenha se tornado o ficcionista que é em
vista desse tanto mundo corrido. Talvez não. Com l2 ou 13
anos, não inventou que um dia seria escritor? Sim, por influência
do vale-paraibano maior Monteiro Lobato. Mundo esquisito aquele de
então; o mestre amado muito além das nossas fronteiras
teve seus livros queimados em praça pública na cidade
em que nasceu! Ô vale conservador! Eu estou com ele desde aqueles
tempos para o que der e vier. As mulheres debruçadas nas janelas
passarão, ele passarinho, como diz mestre Quintana. |
Ou, quem sabe, foi pelas tantas histórias de
mistério, que me transformaram em leitor? As histórias
famosas da Coleção Amarela, lá da terra do Quintana,
nas quais fui iniciado pelo amigo querido Antonio Furlan, na antiga
Biblioteca Publica de Caçapava.
Com todo seu conservadorismo, a cidade me ofereceu uma biblioteca que me ajudaria
a descerrar o mundo. Sou grato por isso.
Talvez, ainda, seja escritor por conta do entusiasmo e da paixão que dona
Cidô, professora de português prodigalizava no antigo Colégio
Estadual Machado de Assis. Tinha de ser o Machado, que tanto demorei a entender.
Ele continua lá (o colégio), impassível diante das gerações
que se sucedem, no canto da praça, ao lado da casa do Guido Pierre, amigo
antigo e querido.
No entanto, se voltarmos às origens mais remotas, me parece provável
que não teria sido escritor sem as tantas histórias ouvidas de
Emilia e da negra Alzira. Ah, o talento raro dessas contadoras de histórias,
dessas velhas senhoras que passaram anônimas pela vida.
Onde quer que estejam, não se magoem; pensem que a cidade era muito conservadora
para a criatividade de vocês. Mas também não posso me esquecer
da vocação, daquela inquietação que me subia das
partes mais recônditas do corpo, e que me levava a ler e a escrever como
se a vida existisse apenas para isso.
E, aí, quem sabe então, tenha localizado o fio da meada. Como é que
nunca pensei nisso? É verdade, sem minha mãe Eglantina (pobre com
nome complicado, dizia uma velhilha de boca torta lá, quase na porta do
quartel), não haveria nada. De certa forma, sou até escritor para
provar a ela que seria capaz de realizar o que ela duvidava. Ela viveu para assistir
meu sucesso e eu agradeço a Deus por isso.
Muito menos seria sem a experiência muda mas sempre presente de meu pai,
seu Berto Galdino, filho de italiano, que deixou a Lombardia (Mantua), para que
ele viesse nascer na Fazenda do Iriguaçu, caminho do Buquira, coração
da Mantiqueira.
ELUCUBRAÇÕES QUASE RACIONAIS
Sou escritor e professor mas de um modo especial. Nasci num país, onde
quem tem dente é elite e quem sabe ler é doutor. O sujeito recebe
o papelucho de bacharel nisso ou naquilo mas é capaz de brigar se não
chamar de doutor. O doutor de hoje é o coronel do antanho, exceção é claro
aos verdadeiros doutorados.
Por isso e até porque escritor nessa terra não é considerado
sequer profissão, da minha decisão de ser escritor aos l2 anos
até a realização do sonho muito tempo se passou. Somente
aos 37 anos, comecei a ver meus primeiros contos premiados nas antologias de
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, principalmente.
E só depois dos 40, a publicação da obra- solo: romance,
novelas e ensaios. Foram, portante, cerca de 25 anos, escrevendo diariamente,
quase sempre sem esperança de publicar. E, de fato, não tivesse
me arriscado a concorrer em alguns concursõs literários, é bastante
provável que estivesse
escrevendo ainda hoje e enchendo gavetas.
Os primeiros 4 livros publicados, dois adultos e dois para crianças, vieram
de premiações. Depois deles, as editoras passaram a me procurar à procura
de textos para um e outro públicos.
O professor praticamente não existiu por absoluta falta de vocação,
como acontecera já, antes, na carreira militar. Apesar da formação
em Artes, licenciatura em História da Arte e especialização
em Pré-história, dediquei minha vida preferencialmente à Comunicação
Social. Primeiro. no jornalismo, mas principalmente na área de Criação
de Publicidade, onde atuei desde pequenas agências como a Brain, onde trabalhava
com l2 japoneses, até a MPM, durante muito tempo a maior agência
de publicidade do Brasil.
Na publicidade, ganhei meus primeiros prêmios, criando peças publicitárias
para midia escrita e filmes para TV. Entre as premiações mais importantes,
contam-se peças criadas para clientes como Johann Faber e Faber- Castel;
e Instituto Fontoura (Engov e Biotônico Fontoura) além de Prêmio
Top de Marketing.
OBRAS PUBLICADAS - ADULTOS
Em l982, Luiz Galdino publicou "Urutu Cruzeiro" (contos), Prêmio
Nacional do Clube do Livro, patrocinado pelo SESI, São Paulo; e Prêmio
Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro;
em l986, "A Missa do Diabo" (novela), Menção Honrosa
Prêmio Nacional do Clube do Livro. Ambas tiveram três edições
esgotasdas. Em l988, publicou"O Prinspe da Pedra Verde" (romance),
Prêmio Literário Nacional do Instituto Nacional do Livro, MEC-PróMemória,
Brasília, DF. A edição do INL foi integralmente distribuida
para bibliotecas públicas do país.
Em l994, publicou "A Noite do Enforcado" (contos), em fase de tradução
para países da América Latina, a partir de Uruguai.
Não-ficção: l984, "Arte Indígena Brasileira" (ensaio
arte), edição patrocinada, bilingue japonês -inglês;
l988, "Itacoatiaras: uma Pré-história da Arte no Brasil",
edição patrocinada, bilingue portugês-inglês; 2002, "Os
Incas no Brasil" (ensaio História Colonial), Prêmio Clio da
Academia Paulistana de História.
Adaptações: Viagem ao Reino das Sombras (Mito de Eros e Psiquê)
para o teatro; e "Bogaris e Resedás" (conto), para o cinema.
Prêmio Plural (Jornal Excelsior), México: Gavilán Rey.
FICÇÃO PARA JOVENS E ADOLECENTES
Luiz Galdino publicou mais de 50 títulos para jovens, adolescentes e crianças,
obtendo com eles mais de 20 premiações no Brasil e exterior. Alguns
desses livros venderam perto de l milhão de exemplares, demonstrando que
o ,público endossou as escolhas da crítica. Entre os livros mais
conhecidos nessa faixa de público, cita A Vida Secreta de Jonas, Pega
Ladrão, O Fantasma que Falava Espanhol, O Destino de Perseu, O Brinquedo
Misterioso, Moleque de Rua, Os Cavaleiros da Távola Redonda e Saudade
da Vila.
Desses 50 títulos, 5 foram selecionados para o acervo permanente da Biblioteca
da Juventude de Munique, Alemanha, que escolhe, todos os anos, as melhores obras
para jovens publicadas em todo o mundo. E, entre esses 5 títulos destacados,
um - Saruê Zambi - entrou também para um catálogo muito especial"As
Melhores Histórias de Guerra e Paz de Todos os Tempos", daquela Biblioteca.
Este é o único livro brasileiro da lista.
Quatro livros foram selecionados para exposição e acervo da Feira
de Bologna, Itália. As histórias "Çarungaua" (infantil)
e Gavião-Rei (adulto) foram traduzidas e publicadas no México e
Estados Unidos.
E, ademais, a obra, de modo geral, vem sendo estudada e transformada em temas
de teses uiversitárias na Holanda, Japão e Brasil, claro.
ASSOCIAÇÕES DE CLASSE
Luiz Galdino participou de duas diretorias e é membro da União
Brasileira de Escritores; compôs duas diretorias e continua membro do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo.
É
membro do Instituto Paulista de Arqueologia; membro Associação
dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo, membro-fundador do
MAPE - Movimento de Arte e Pensamento Ecológico.
Participa de projetos da Secretaria de Estado da Cultura e da Secretaria de Cultura
do Município (Escritor na Cidade, Escritor na Biblioteca e outros) dá palestras,
cursos e workshops.
Obrigado Luiz Galdino por ser este grande Caçapavense!!!
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